Lipedema: quando as pernas não respondem à dieta
- Dra. Joana Pinheiro
- há 4 dias
- 2 min de leitura
Há mulheres que fazem tudo “certo”. Cuidam da alimentação, tentam emagrecer, praticam exercício físico — e mesmo assim sentem que as pernas não mudam, que há dor, peso ou sensibilidade constantes.
Quando isto acontece, é comum surgir frustração, culpa e a sensação de que o corpo está a falhar. Mas, em muitos casos, o corpo não está a falhar. Está apenas a lidar com algo que ainda é pouco falado: o lipedema.

O que é o lipedema?
O lipedema é uma condição crónica, inflamatória e de forte influência hormonal, que afeta quase exclusivamente mulheres.
Caracteriza-se pela acumulação desproporcional de gordura, sobretudo em:
pernas
ancas
glúteos
Esta gordura tem um comportamento diferente da gordura comum: não responde facilmente a dietas restritivas nem ao exercício físico tradicional.
O lipedema pode surgir ou agravar-se em fases de grande alteração hormonal, como:
puberdade
gravidez
pós-parto
perimenopausa e menopausa
Sintomas mais comuns de lipedema
Cada mulher pode manifestar o lipedema de forma diferente, mas os sinais mais frequentes incluem:
aumento desproporcional das pernas em relação ao tronco
sensação de peso ou cansaço nas pernas
dor ou sensibilidade ao toque
facilidade em ganhar nódoas negras
pouca ou nenhuma resposta das pernas à perda de peso
O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde qualificado. Este artigo tem como objetivo informar e orientar, não substituir avaliação clínica.
O que o lipedema NÃO é
Uma das maiores dificuldades das mulheres com lipedema é lidar com rótulos errados.
É importante esclarecer que o lipedema:
não é obesidade
não é retenção de líquidos comum
não é preguiça
não é falta de disciplina
Trata-se de uma condição com base fisiológica real, muitas vezes incompreendida e subdiagnosticada.
O papel das hormonas, inflamação e intestino
Enquanto nutricionista funcional na área da saúde feminina, observo frequentemente que o lipedema está associado a:
inflamação crónica de baixo grau
alterações na sensibilidade à insulina
desequilíbrios hormonais (especialmente estrogénios)
disfunções intestinais e da microbiota
Estes fatores não causam lipedema isoladamente, mas influenciam a sua progressão e intensidade dos sintomas.
Por isso, abordagens baseadas apenas em restrição calórica tendem a falhar — e muitas vezes agravam a relação da mulher com o próprio corpo.
Como a nutrição funcional pode ajudar no lipedema
É importante ser clara: a nutrição funcional não promete curar o lipedema.
No entanto, pode ser uma grande aliada para:
reduzir inflamação
melhorar a dor e a sensação de peso
apoiar o equilíbrio hormonal
melhorar a relação com a comida
aumentar a qualidade de vida
A abordagem é sempre individualizada, respeitando o corpo, o contexto hormonal e emocional de cada mulher.
Quando procurar apoio especializado
Se sentes que:
o teu corpo não responde como esperado
existe dor ou desconforto persistente
há frustração recorrente com dietas
este tema está a afetar a tua autoestima
procurar acompanhamento especializado pode ser um passo importante.
Compreender o corpo é muitas vezes o início de uma relação mais compassiva e eficaz com ele.
Consideração final
Falar de lipedema é dar nome a algo que muitas mulheres sentem em silêncio.
Mais do que rótulos, o que importa é escuta, compreensão e estratégias adequadas ao corpo feminino



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