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Lipedema: quando as pernas não respondem à dieta

Há mulheres que fazem tudo “certo”. Cuidam da alimentação, tentam emagrecer, praticam exercício físico — e mesmo assim sentem que as pernas não mudam, que há dor, peso ou sensibilidade constantes.

Quando isto acontece, é comum surgir frustração, culpa e a sensação de que o corpo está a falhar. Mas, em muitos casos, o corpo não está a falhar. Está apenas a lidar com algo que ainda é pouco falado: o lipedema.

lipedema

 

O que é o lipedema?

O lipedema é uma condição crónica, inflamatória e de forte influência hormonal, que afeta quase exclusivamente mulheres.

Caracteriza-se pela acumulação desproporcional de gordura, sobretudo em:

  • pernas

  • ancas

  • glúteos

Esta gordura tem um comportamento diferente da gordura comum: não responde facilmente a dietas restritivas nem ao exercício físico tradicional.

O lipedema pode surgir ou agravar-se em fases de grande alteração hormonal, como:

  • puberdade

  • gravidez

  • pós-parto

  • perimenopausa e menopausa

 

Sintomas mais comuns de lipedema

Cada mulher pode manifestar o lipedema de forma diferente, mas os sinais mais frequentes incluem:

  • aumento desproporcional das pernas em relação ao tronco

  • sensação de peso ou cansaço nas pernas

  • dor ou sensibilidade ao toque

  • facilidade em ganhar nódoas negras

  • pouca ou nenhuma resposta das pernas à perda de peso

O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde qualificado. Este artigo tem como objetivo informar e orientar, não substituir avaliação clínica.

 

O que o lipedema NÃO é

Uma das maiores dificuldades das mulheres com lipedema é lidar com rótulos errados.

É importante esclarecer que o lipedema:

  • não é obesidade

  • não é retenção de líquidos comum

  • não é preguiça

  • não é falta de disciplina

Trata-se de uma condição com base fisiológica real, muitas vezes incompreendida e subdiagnosticada.

 

O papel das hormonas, inflamação e intestino

Enquanto nutricionista funcional na área da saúde feminina, observo frequentemente que o lipedema está associado a:

  • inflamação crónica de baixo grau

  • alterações na sensibilidade à insulina

  • desequilíbrios hormonais (especialmente estrogénios)

  • disfunções intestinais e da microbiota

Estes fatores não causam lipedema isoladamente, mas influenciam a sua progressão e intensidade dos sintomas.

Por isso, abordagens baseadas apenas em restrição calórica tendem a falhar — e muitas vezes agravam a relação da mulher com o próprio corpo.

 

Como a nutrição funcional pode ajudar no lipedema

É importante ser clara: a nutrição funcional não promete curar o lipedema.

No entanto, pode ser uma grande aliada para:

  • reduzir inflamação

  • melhorar a dor e a sensação de peso

  • apoiar o equilíbrio hormonal

  • melhorar a relação com a comida

  • aumentar a qualidade de vida

A abordagem é sempre individualizada, respeitando o corpo, o contexto hormonal e emocional de cada mulher.

 

Quando procurar apoio especializado

Se sentes que:

  • o teu corpo não responde como esperado

  • existe dor ou desconforto persistente

  • há frustração recorrente com dietas

  • este tema está a afetar a tua autoestima

procurar acompanhamento especializado pode ser um passo importante.

Compreender o corpo é muitas vezes o início de uma relação mais compassiva e eficaz com ele.

 

Consideração final

Falar de lipedema é dar nome a algo que muitas mulheres sentem em silêncio.

Mais do que rótulos, o que importa é escuta, compreensão e estratégias adequadas ao corpo feminino

 
 
 

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